Categories: General
      Date: 12/02/09
     Title: ARTIGO por Marcos Roberto Araújo

O Médico e o Monstro

Por Marcos Roberto Araújo*



 

Acredite, há falsos médicos atendendo pacientes neste país! É sério! Olha só essa: parece que por uma coincidência, o prefeito da cidade de Miguel Alves no Piauí descobriu um falso médico que já trabalhava para a prefeitura há vários meses.  O prefeito tinha interesse em reativar um Centro Cirúrgico na cidade e foi procurado pelo pseudo-médico. Após algumas informações desencontradas em relação ao registro profissional o desconfiado prefeito resolveu fazer uma investigação. O que descobriu? Junto ao Conselho Regional de Medicina constatou que o falso médico não tinha sequer CRM, ou seja, registro como médico no Conselho Regional de Medicina do Piauí e em qualquer outro do país.

Se esse fato se comprovar você já pensou nas consequências dos atendimentos desse suposto falso médico para cada um dos pacientes atendidos? Será que algum correu risco de morte? Talvez.

Agora, outra informação importante. Você sabia que há profissionais de diversas áreas atuando neste país como Relações Públicas, sem formação ou registro? É sério também! Alguns se dizem Relações Públicas ao atuarem como vendedores de automóveis ou divulgadores de festas. Esses são os casos menos graves. Há outros que atuam nas funções específicas de Relações Públicas. Esses são os casos mais graves. Fazem diagnóstico (lembre-se agora do médico da cidade de Miguel Alves) e receitam remédios (projetos e programas), ou até mesmo intervenções cirúrgicas (planos, ações, investimentos, etc).

Amigo leitor. Da mesma forma que o suposto falso médico ameaçou a vida de muitas pessoas, confiantes nas suas palavras e ações, o falso Relações Públicas ameaça a saúde financeira de todas as empresas e/ou organizações que confiam em suas palavras, planejamentos e ações. Nós sabemos que um braço quebrado deve ser imobilizado e talvez até motivo de intervenção cirúrgica, mas, isso não nos tranforma em médicos. Podemos até arriscar um palpite quando os sintomas indicam que a pessoa está com dengue, mas, o melhor é encaminhá-la ao médico (um verdadeiro, de preferência). Muitos sabem também que o planejamento e a execução de campanhas de opinião pública são importantes para que as empresas se comuniquem adequadamente com seus públicos, mas, nem todos os funcionários da empresa podem assumir responsabilidades nessas tarefas, pois, essas são atribuições dos profissionais de Relações Públicas.

Alguns podem discordar, mas, em se tratando de uma atividade regulamentada (Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967), toda pessoa que exercer profissionalmente as atividades de Relações Públicas, utilizando-se dessa nomenclatura ou não, deve ser Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas e, principalmente, deve estar inscrita no Conselho Regional de sua área de atuação.

O “Código de Ética dos Profissionais de Relações Públicas” é claro quanto a esta questão. Vamos recordar... No artigo 31 especifica que “cumprir e fazer cumprir este código é dever de todos os profissionais de Relações Públicas” enquanto no artigo artigo 33 informa que “as normas deste Código são aplicadas às pessoas físicas e jurídicas, que exerçam a atividade profissional de Relações Públicas”.

O que fez o prefeito piauiense? Informou as autoridades que havia um falso médico na sua cidade. Parabéns ao prefeito! As investigações irão comprovar as informações e as autoridades poderão fazer o seu trabalho. E se você encontrar um falso Relações Públicas solto na praça? Lembre-se que o artigo 35 do referido Código de Ética determina que “cabe ao profissional de Relações Públicas denunciar aos seus Conselhos Regionais qualquer pessoa que esteja exercendo a profissão sem respectivo registro, infringindo a legislação ou os artigos deste Código”.

Faça a sua parte! Temos recebidos muitas denúncias e vários processos foram abertos para que possamos apurar responsabilidades e adotar as medidas determinadas pela legislação. Mas, ainda há muito por fazer. Muitas empresas ainda utilizam profissionais não-qualificados ou não registrados para desenvolver ações de caráter institucional entre a entidade e o público (por intermédio dos meios de comunicação), a coordenação e o planejamento de pesquisas da opinião pública para fins institucionais, o planejamento e a supervisão da utilização dos meios audio-visuais para fins institucionais, o planejamento e execução de campanhas de opinião pública e, acreditem, o ensino das técnicas de Relações Públicas.

Se não fizermos nada o que acontecerá? Muitos pacientes irão para suas casas com um remédio inócuo para as suas dores ou pior, desconhecendo quais são os seus verdadeiros males. Igualmente, muitas empresas perdem dinheiro e comprometem sua imagem ao confiar em charlatões da comunicação.

Caso você precise de um médico, procure uma clínica ou hospital. Se o problema for a saúde da comunicação da sua empresa, procure um profissional qualificado e registrado para apresentar-lhe um diagnóstico. E claro, o remédio. Se não, mortes podem ser noticiadas em breve.

Em tempo: O jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, o nosso Rei Pelé, foi apresentado pelo Jornal “Folha de São Paulo” desta semana como o Relações Públicas do Brasil para a Copa de 2014. Será que ele poderá diagnosticar e tratar alguma contusão caso necessário? Espero que não... Da mesma forma espero que a CBF contrate os serviços de um verdadeiro Relações Públicas, e que os nossos colegas jornalistas fiquem atentos as informações que fornecem aos seus leitores.

* Marcos Roberto Araújo é Conselheiro do Conrerp 2ª Região e Coordenador da Comissão de Fiscalização. Para mais informações, entrem em contato pelo Fale Conosco do Site.